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jul
IA já chegou às fábricas. Agora o desafio da indústria é outro: integrar pessoas e máquinas
Com a inteligência artificial cada vez mais presente no chão de fábrica, especialista afirma que o próximo passo da transformação industrial será combinar tecnologia, produtividade e valorização do fator humano
A inteligência artificial deixou de ser uma aposta para se tornar parte da rotina da indústria brasileira. Segundo o estudo Estado da IA Industrial 2026, da Cisco, 66% das empresas do setor no país já utilizam a tecnologia em aplicações industriais em tempo real, percentual superior à média global. O dado evidencia o avanço da digitalização e da automação dos processos produtivos, características da chamada Indústria 4.0.
Agora, no entanto, a discussão já começa a mudar. Mais do que automatizar processos, o desafio passa a ser integrar inteligência artificial, robótica e pessoas de forma estratégica para aumentar produtividade, segurança e eficiência. É esse o princípio da chamada Indústria 5.0, conceito que ganha espaço ao defender que a tecnologia deve ampliar as capacidades humanas, e não apenas substituir atividades operacionais.
“O debate sobre transformação digital amadureceu. Hoje, a pergunta já não é mais se a inteligência artificial fará parte da indústria, mas como utilizá-la para tornar as operações mais inteligentes sem perder o fator humano”, afirma Cauê Marinho, CEO da Kinebot, startup especializada em soluções de automação industrial baseadas em inteligência artificial.
Segundo o executivo, essa mudança já pode ser observada no cenário internacional. Embora a inteligência artificial seja um dos principais motores da transformação industrial, o foco das inovações está menos na substituição completa da mão de obra e mais na integração de tecnologias capazes de tornar as operações mais inteligentes, conectadas e eficientes.
“Existe uma percepção de que a evolução da indústria passa necessariamente pela substituição das pessoas por máquinas, mas esse não é o caminho que estamos observando. A tecnologia avança para apoiar decisões, eliminar atividades repetitivas e tornar o trabalho mais seguro e produtivo, mantendo o fator humano no centro das operações”, afirma.
Marinho destaca que um dos principais desafios da indústria atualmente já não está na criação de novas tecnologias, mas na capacidade de integrá-las em um mesmo ambiente produtivo. Sensores, robôs colaborativos, visão computacional e plataformas de inteligência artificial já fazem parte da realidade de muitas empresas, porém conectá-los de forma eficiente, escalável e segura continua sendo um obstáculo para boa parte do setor.
Além disso, fatores como a busca por maior produtividade, a escassez de mão de obra qualificada e o avanço das exigências relacionadas à Saúde e Segurança do Trabalho têm acelerado essa mudança de paradigma, fazendo com que a tecnologia seja vista cada vez mais como uma aliada das pessoas, e não apenas como uma ferramenta de automação.
IA para além do hype e centrada na estratégia
Nesse cenário, empresas especializadas em automação industrial passam a desempenhar um papel estratégico na evolução das fábricas. Na Kinebot, por exemplo, a inteligência artificial é aplicada ao desenvolvimento de análises ergonômicas e soluções voltadas à interação entre pessoas e máquinas, permitindo identificar oportunidades de melhoria operacional, reduzir riscos ergonômicos e apoiar decisões com base em dados.
O ergonomista da CNH Industrial, Moreli Roika, que utiliza a plataforma da Kinebot, conta que a parceria IA e capital humano garantiu redução de cinco horas para uma no processo de análise ergonômica. “A economia nesse processo chegou a quase R$200 mil no ano, além de uma queda importante no absenteísmo, que caiu de 3% para 2,15%”, conta ele.
A proposta reflete justamente um dos pilares da Indústria 5.0: utilizar a tecnologia para assumir tarefas repetitivas, insalubres ou de maior risco, enquanto os profissionais passam a desempenhar funções de supervisão, tomada de decisão e melhoria contínua dos processos.
“Quando falamos em inteligência artificial na indústria, não estamos falando apenas de automação. Estamos falando de criar ambientes de trabalho mais inteligentes, seguros e colaborativos. O futuro da indústria não será definido pela quantidade de robôs dentro das fábricas, mas pela forma como tecnologia e pessoas conseguem trabalhar juntas. A produtividade continuará sendo importante, mas ela precisará caminhar ao lado da segurança, da sustentabilidade e da valorização do trabalho humano”, conclui Marinho.
Sobre a Kinebot
A Kinebot é uma empresa de tecnologia aplicada à saúde ocupacional que utiliza inteligência artificial e visão computacional para transformar análises ergonômicas em processos orientados por dados. Sua plataforma permite avaliar movimentos humanos com alta precisão, automatizar diagnósticos e gerar relatórios e planos de ação de forma ágil e escalável, apoiando o RH na redução de riscos, custos e afastamentos.