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27 out

Brasil registra mais de 806 mil acidentes de trabalho em 2025; IA pode ampliar a identificação de riscos

Inteligência artificial e visão computacional permitem analisar situações de risco de forma contínua e apoiar estratégias de prevenção nas empresas

O Brasil registrou 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes em 2025, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgado em abril de 2026. Os números reforçam o desafio de aprimorar a prevenção de acidentes e identificar situações de risco antes que elas resultem em lesões. Nesse contexto, tecnologias como inteligência artificial (IA) e visão computacional podem ampliar a capacidade de monitoramento das empresas e apoiar a atuação dos profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).

“Diferentemente das inspeções realizadas em momentos específicos, hoje, sistemas baseados em visão computacional podem analisar imagens para identificar situações previamente definidas como potencialmente perigosas, conforme as capacidades e os parâmetros de cada solução”, afirma Cauê Marinho, CEO da Kinebot. 

A tecnologia, que já foi utilizada pela Kinebot em mais de 500 mil trabalhadores, pode auxiliar, por exemplo, no reconhecimento de posturas inadequadas, na identificação de condições inseguras e no acompanhamento de procedimentos operacionais, contribuindo para que equipes de segurança direcionem sua atenção a situações que exigem intervenção.

“Essa é uma discussão que envolve a capacidade de transformar informações em ações preventivas. Os acidentes de trabalho acontecem, mas são evitáveis. Precisamos utilizar a tecnologia a favor dos trabalhadores e das empresas”, reforça Marinho.

A adoção dessas ferramentas, no entanto, não elimina a necessidade de avaliação técnica, protocolos de segurança e intervenção humana. A identificação automatizada de uma situação de risco é uma etapa do processo. “A prevenção depende também da análise do contexto, da correção das condições inseguras e do acompanhamento das medidas adotadas”, explica.

Prevenir é melhor que remediar – na prática

Para falar sobre prevenção, é preciso compreender que a ergonomia não deve ser apenas uma pauta de compliance, mas integrar a estratégia operacional das empresas e, sobretudo, das indústrias que operam em larga escala. 

“À medida que os custos relacionados a afastamentos, absenteísmo e passivos trabalhistas ganham peso dentro das empresas, a ergonomia precisa fazer parte da estratégia. Significa dizer que em vez de atuar apenas quando surgem doenças ocupacionais, as organizações precisam utilizar dados para antecipar riscos e reduzir perdas financeiras”, diz Marinho. 

Essa mudança de perspectiva acompanha um movimento mais amplo de digitalização da saúde ocupacional e os resultados têm sido bem positivos. Na CNH Industrial, por exemplo, uma análise ergonômica que antes demandava aproximadamente cinco horas passou a ser realizada em cerca de uma hora com apoio da plataforma. Segundo a empresa, a adoção da tecnologia gerou economia próxima de R$ 200 mil por ano e contribuiu para reduzir o índice de absenteísmo de 3% para 2,15%.

“Nossa aposta, enquanto parte de um ecossistema de inovação na área de saúde e segurança ocupacional, é que a ergonomia siga o mesmo caminho de outras áreas da indústria, deixando de depender exclusivamente da experiência individual dos especialistas para se tornar uma disciplina cada vez mais orientada por dados, previsibilidade e inteligência artificial”, finaliza Marinho.

Sobre a Kinebot

Fundada em Curitiba, em 2020, a Kinebot desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial, visão computacional e ergonomia para apoiar empresas na gestão da saúde e segurança do trabalho. A plataforma está presente em mais de 30 países e já analisou mais de 500 mil trabalhadores.