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21 set

Dia Mundial de Conscientização do Alzheimer: estudo clínico busca pacientes em Curitiba para avaliar novos tratamentos

No dia 21 de setembro, Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, o debate sobre diagnóstico, tratamento e qualidade de vida ganha ainda mais destaque. Em Curitiba, pacientes com Alzheimer que apresentam sintomas como agitação, alucinações ou delírios podem participar gratuitamente de dois estudos clínicos internacionais que investigam novas alternativas para essas manifestações da doença. Os estudos são conduzidos pelo CECPAR – Centro de Estudos Clínicos do Paraná, sob direção clínica do médico e investigador clínico Dr. Luiz Fernando Petry, e estão com vagas abertas para novos participantes.

“Cada estudo clínico é uma etapa necessária para que a ciência consiga responder a perguntas que ainda não têm resposta. Para quem participa, existe a possibilidade de contribuir diretamente para esse processo, mas o impacto vai muito além: os conhecimentos produzidos podem abrir caminho para novas opções de tratamento e representar esperança para milhares de pessoas que poderão enfrentar o Alzheimer no futuro”, explica o Dr. Petry.

Atualmente, o CECPAR participa de dois estudos internacionais voltados a pacientes com Alzheimer. Um deles investiga uma nova abordagem para a agitação associada à doença, enquanto o outro avalia uma alternativa para a psicose associada ao Alzheimer, que pode envolver alucinações e delírios.

Estudos investigam sintomas que impactam pacientes e cuidadores

A agitação está entre as manifestações que podem aparecer ao longo da evolução do Alzheimer e pode se apresentar de diferentes maneiras, como inquietação, comportamentos agressivos, atividade motora excessiva ou solicitações constantes de atenção. Segundo o Dr. Petry, essa manifestação pode atingir aproximadamente metade dos pacientes e está relacionada à piora da qualidade de vida e ao aumento da sobrecarga dos cuidadores.

“As opções atualmente utilizadas para a agitação associada ao Alzheimer podem apresentar eficácia limitada e provocar efeitos adversos que dificultam seu uso, especialmente em pacientes idosos. Por isso, a pesquisa de novas alternativas é importante”, explica.

O segundo estudo investiga uma nova abordagem para a psicose associada à doença de Alzheimer, caracterizada por manifestações como alucinações e delírios. Estudos apontam prevalência de aproximadamente 18% para alucinações e 36% para delírios em pessoas com Alzheimer. Atualmente, não há tratamento farmacológico aprovado especificamente para a psicose da doença de Alzheimer.

“As alucinações ocorrem quando a pessoa vê, ouve ou sente coisas que não existem. Já os delírios são crenças falsas mantidas mesmo sem evidências, como acreditar que um familiar ou cuidador é um impostor ou que alguém quer prejudicá-lo”, explica o médico.

O estudo do qual o CECPAR participa é o primeiro desenvolvido para avaliar a eficácia e a segurança de uma substância no tratamento de alucinações e delírios em participantes com psicose associada à doença de Alzheimer.

 Alzheimer afeta milhões de pessoas

A relevância de novas pesquisas se torna ainda maior diante do crescimento do número de pessoas afetadas pelas demências. Segundo dados citados pela Organização Mundial da Saúde, mais de 57 milhões de pessoas vivem atualmente com algum tipo de demência no mundo, com quase 10 milhões de novos casos registrados a cada ano. O Alzheimer responde por cerca de 60% a 70% dos casos. No Brasil, a estimativa é de aproximadamente 1,8 milhão de pessoas vivendo com algum tipo de demência, com projeção de que esse número chegue a 5,7 milhões até 2050.

Quem pode participar

 A participação nos estudos é gratuita. Os custos dos procedimentos previstos nas pesquisas são cobertos e as despesas de deslocamento e alimentação relacionadas às visitas são reembolsadas de acordo com as regras de cada protocolo.

Podem ser elegíveis pacientes entre 55 e 95 anos, com diagnóstico de Alzheimer e que apresentem há pelo menos dois meses algum dos sintomas relacionados aos estudos. Também é necessário ter capacidade verbal suficiente para compreender e responder às perguntas e seguir os procedimentos da pesquisa, além de contar com um parceiro de estudo ou cuidador que possa acompanhar o participante nas visitas.

Os participantes elegíveis também poderão passar por uma avaliação diagnóstica abrangente, que pode incluir métodos modernos de investigação, como a análise de biomarcadores plasmáticos.

Interessados podem entrar em contato com o CECPAR pelo telefone (41) 98495-7463. A inscrição é seguida de uma etapa de triagem para verificar a elegibilidade de cada paciente.

Sobre o CECPAR

O CECPAR – Centro de Estudos Clínicos do Paraná nasceu em Curitiba a partir da experiência de médicos e pesquisadores na condução de estudos clínicos. O centro é dirigido clinicamente pelo médico Luiz Fernando Petry, investigador clínico desde 2009, e conta com equipe multidisciplinar e estrutura voltada à condução de pesquisas internacionais. Atua em diferentes áreas médicas, incluindo neurologia, com pesquisas relacionadas a doenças neurodegenerativas como Alzheimer.