.Blog noar

14 ago

Eleições: como proteger os investimentos em ano eleitoral?

Levantamento mostra que em anos eleitorais, Ibovespa tem retorno médio de apenas 0,5%, mas avança em média 21,5% no ano seguinte; especialista recomenda diversificação, exposição internacional e disciplina de longo prazo

A campanha eleitoral está apenas começando, mas o cenário político e as incertezas sobre a condução futura da economia nacional tendem a elevar a volatilidade dos mercados, levando investidores a repensarem suas estratégias e a reverem suas carteiras. A avaliação é do diretor de investimentos da Zelen Family Office, Raphael Cordeiro, que realizou um levantamento sobre o desempenho do Ibovespa em períodos eleitorais desde 1998.

De acordo com os dados históricos, o Ibovespa apresentou desempenhos bastante distintos entre os anos de eleição e os anos posteriores. Nos ciclos analisados desde 1998, o índice registrou retorno médio de apenas 0,5% em anos eleitorais. Já no ano seguinte às eleições presidenciais, a valorização média subiu para 21,5%. No período mais recente analisado, em 2022, o Ibovespa se valorizou apenas 4,69%, enquanto em 2023 teve alta de 22,3%. O caso mais impactante ocorreu em 2002, quando o índice recuou 17%, porém subiu 97,34% no ano seguinte. Embora também existam anos em que o desempenho seguinte foi negativo, como 2010 e 2014, a média histórica reforça que a definição do cenário político tende a reduzir parte da incerteza precificada pelo mercado.

“Observamos que mudanças nas expectativas sobre política econômica, cenário fiscal, reformas e ambiente regulatório podem provocar oscilações relevantes nos ativos financeiros antes mesmo da definição do resultado das urnas”, analisa Raphael Cordeiro. “O mercado costuma antecipar expectativas e, muitas vezes, reage de forma diferente daquela imaginada pelos investidores. Por isso, mudanças bruscas na carteira motivadas apenas pelo ambiente político podem gerar mais prejuízos do que benefícios”, complementa.

Segundo o especialista, o principal risco para o investidor em períodos eleitorais é tomar decisões precipitadas com base no noticiário ou em pesquisas de intenção de voto. Ele explica que a proteção do patrimônio em anos eleitorais deve estar menos associada a apostas pontuais e mais ligada a uma estratégia robusta de alocação de capital.

Entre as alternativas, está a manutenção de parte da carteira em ativos internacionais. A exposição ao câmbio pode funcionar como diversificação do risco Brasil, já que uma eventual desvalorização do real tende a beneficiar investimentos denominados em moedas fortes, como o dólar. “Investir no exterior não deve ser uma reação ao calendário eleitoral, mas parte estrutural de uma boa gestão patrimonial. A diversificação internacional amplia o acesso a economias, setores e empresas que não estão disponíveis no mercado brasileiro e ajuda a reduzir a dependência de um único país”, destaca Cordeiro.

A recomendação é que cada carteira seja avaliada de acordo com os objetivos, o horizonte de investimento, a necessidade de liquidez e o perfil de risco de cada família. O especialista afirma que em muitos casos, uma alocação equilibrada entre renda fixa, renda variável, ativos internacionais, títulos indexados à inflação e investimentos alternativos pode ser mais eficiente do que tentar antecipar movimentos de curto prazo do mercado. “Ao invés de tentar prever quem vencerá as eleições, o investidor deve construir um patrimônio preparado para diferentes cenários econômicos e políticos. Diversificação, controle de riscos e gestão técnica continuam sendo as ferramentas mais eficazes para proteger e fazer crescer o patrimônio no longo prazo”.

Sobre a Zelen Family Office

A Zelen Family Office é uma empresa especializada na consultoria patrimonial e de investimentos, com foco na administração estratégica de ativos familiares. Fundada por profissionais com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro, a Zelen Family Office se destaca pelo trabalho integrado de planejamento patrimonial, investimentos e organização da sucessão familiar.