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3 set

Setembro Lilás: 5 atitudes que podem ajudar a reduzir o risco de Alzheimer ao longo da vida

O Alzheimer costuma ser associado ao envelhecimento, mas a prevenção do declínio cognitivo começa muito antes dos primeiros sinais de perda de memória. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 57 milhões de pessoas vivem atualmente com algum tipo de demência no mundo e quase 10 milhões de novos casos são registrados a cada ano. O Alzheimer é responsável por cerca de 60% a 70% dos casos.

No Brasil, o cenário também chama atenção. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 1,8 milhão de brasileiros vivem com algum tipo de demência, com uma estimativa de aproximadamente 55 mil novos casos por ano. A projeção é que o número chegue a 5,7 milhões até 2050.

Neste Setembro Lilás, mês dedicado à conscientização sobre a doença de Alzheimer, o alerta ganha ainda mais importância. O dia 21 de setembro é o Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, data criada para ampliar o debate sobre prevenção, diagnóstico, tratamento e qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença.

De acordo com o médico e investigador clínico Dr. Luiz Fernando Petry, diretor clínico do CECPAR – Centro de Estudos Clínicos do Paraná, algumas mudanças de hábitos ao longo da vida podem contribuir para a redução dos fatores de risco associados à demência.

  1. Manter o corpo em movimento

 A prática regular de atividade física está entre as medidas recomendadas pela OMS para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência. O exercício também contribui para o controle de condições como hipertensão, diabetes e obesidade, que estão relacionadas à saúde cerebral.

  1. Cuidar da pressão, do diabetes e do colesterol

Doenças cardiovasculares e metabólicas também afetam o cérebro. Manter a pressão arterial, o diabetes e o colesterol sob controle é uma forma de cuidar não apenas do coração, mas também da saúde cerebral ao longo dos anos.

  1. Não fumar e moderar o consumo de álcool

Tabagismo e consumo excessivo de álcool estão entre os fatores modificáveis associados ao risco de demência. A OMS recomenda abandonar o cigarro e reduzir o consumo de álcool como parte das estratégias de redução de risco.

  1. Manter a mente e a vida social ativas

Atividades que estimulam a cognição, assim como a manutenção de vínculos sociais, também fazem parte das recomendações atuais para a redução do risco de declínio cognitivo. Ler, aprender coisas novas, manter hobbies e cultivar relações sociais são formas de manter o cérebro ativo.

    5. Não considerar alterações de memória apenas “coisas da idade”

Esquecer ocasionalmente onde colocou uma chave ou o nome de alguém pode acontecer em qualquer idade. O sinal de alerta aparece quando as alterações de memória, comportamento ou capacidade de realizar atividades começam a interferir na rotina.

“Uma das questões mais importantes é não normalizar mudanças significativas de memória e comportamento. Quando a família percebe que uma pessoa que sempre foi independente começa a repetir as mesmas perguntas, se perde em lugares conhecidos, tem dificuldade para realizar tarefas habituais ou apresenta mudanças importantes de comportamento, é importante procurar avaliação médica”, explica o Dr. Petry.

O especialista ressalta, porém, que a presença de um desses sinais não significa necessariamente Alzheimer. A avaliação médica é fundamental para identificar as causas e determinar o acompanhamento adequado.

Ciência busca novas alternativas para estágios avançados

Embora a prevenção e o diagnóstico sejam fundamentais, a ciência ainda enfrenta grandes desafios diante da evolução da doença. É nesse cenário que pesquisas clínicas buscam desenvolver novas alternativas para pessoas que já apresentam manifestações mais complexas do Alzheimer.

O CECPAR participa atualmente de dois estudos clínicos internacionais para novos medicamentos voltados a pacientes com a doença com o objetivo de amenizar sintomas decorrentes do Alzheimer. Os dois estudam acontecem em Curitiba e estão com vagas abertas para novos pacientes.

Um deles investiga uma nova abordagem para a agitação associada ao Alzheimer, manifestação que pode atingir aproximadamente metade dos pacientes e está relacionada à piora da qualidade de vida, maior sobrecarga dos cuidadores e aumento da probabilidade de institucionalização.

“A agitação pode se manifestar de diferentes formas em pessoas com Alzheimer, indo além da inquietação. Entre os sinais estão comportamentos de agressão física, como bater, chutar, empurrar, morder, arranhar, cuspir, jogar objetos ou machucar a si próprio ou outras pessoas; atividade motora excessiva, como vagar sem rumo, tentar chegar repetidamente a determinado local ou realizar movimentos repetitivos; e agressão verbal, que pode incluir gritos, xingamentos, falas agressivas ou solicitações constantes e injustificadas de atenção ou ajuda. Em alguns casos, também podem ocorrer comportamentos de destruição de objetos ou situações de assédio sexual físico ou verbal”, explica o Dr Petry.

Segundo o especialista, os tratamentos atualmente utilizados para esses quadros podem apresentar limitações importantes. “No caso da agitação associada ao Alzheimer, por exemplo, as opções disponíveis podem ter eficácia limitada e provocar efeitos adversos que dificultam seu uso, especialmente em pacientes idosos”, explica.

O segundo estudo investiga uma nova alternativa para a psicose associada à doença de Alzheimer, caracterizada por manifestações como alucinações e delírios. A psicose é comum em diferentes tipos de demência e, especificamente na doença de Alzheimer, estudos apontam prevalência de aproximadamente 18% para alucinações e 36% para delírios. Atualmente, não há tratamento farmacológico aprovado especificamente para a psicose da doença de Alzheimer, e antipsicóticos atípicos são frequentemente utilizados apesar de preocupações relevantes de segurança nessa população.

“As alucinações ocorrem quando a pessoa vê, ouve ou sente coisas que não existem, como enxergar pessoas que não estão no ambiente, acreditar que seu próprio reflexo no espelho é outra pessoa, ouvir vozes ou passos inexistentes ou sentir cheiros, como fumaça ou perfume, sem que haja uma fonte real. Já os delírios são crenças falsas mantidas mesmo sem evidências, como acreditar que um familiar ou cuidador é um impostor ou quer prejudicá-lo, que alguém invisível está morando na casa, que seus pertences estão sendo roubados ou que o parceiro está apaixonado por outra pessoa”, conta o Dr Petry.

Esse estudo do qual a CECPAR participa é o primeiro desenvolvido para avaliar a eficácia e a segurança de uma substância no tratamento de alucinações e delírios em participantes com psicose associada à doença de Alzheimer.

Como participar?

A participação nos estudos é gratuita, com os custos relacionados aos procedimentos previstos nas pesquisas são cobertos, além das despesas de deslocamento e alimentação relacionadas às visitas reembolsadas conforme as regras de cada protocolo. Além disso, caso seja elegível para participar do estudo, o paciente poderá contar com uma avaliação diagnóstica abrangente, que poderá incluir métodos modernos de investigação, como a análise de biomarcadores plasmáticos. Esse exame utiliza uma amostra de sangue para identificar substâncias relacionadas à doença de Alzheimer, contribuindo para uma avaliação mais precisa das alterações associadas à doença.

Podem se inscrever pacientes entre 55 e 95 anos, que tenham Alzheimer diagnosticado com a manifestação de algum dos sintomas listados acima há pelo menos dois meses, capacidade verbal suficiente para compreender e responder às perguntas e seguir os procedimentos do estudo, e contar com um parceiro de estudo ou cuidador que possa acompanhar o participante nas visitas.

Para o Dr. Petry, a importância dessas pesquisas vai além de uma possível nova alternativa para quem participa diretamente.

“Cada estudo clínico é uma etapa necessária para que a ciência consiga responder a perguntas que ainda não têm resposta. Para quem participa, existe a possibilidade de contribuir diretamente para esse processo, mas o impacto vai muito além: os conhecimentos produzidos podem abrir caminho para novas opções de tratamento e representar esperança para milhares de pessoas que poderão enfrentar o Alzheimer no futuro”, afirma.

Para se inscrever basta entrar em contato com o CECPAR pelo 41 98495-7463. O paciente inscrito passará pela triagem antes de fazer parte do estudo.

Sobre o CECPAR

O CECPAR – Centro de Estudos Clínicos do Paraná nasceu em Curitiba a partir da experiência de médicos e pesquisadores na condução de estudos clínicos. O centro é dirigido clinicamente pelo médico Luiz Fernando Petry, investigador clínico desde 2009, e conta com equipe multidisciplinar e estrutura voltada à condução de pesquisas internacionais. Atua em diferentes áreas médicas, incluindo neurologia, com pesquisas relacionadas a doenças neurodegenerativas como Alzheimer.